Exposição 'Encourados do Sertão Sergipano' até dia 8 de agosto

09/07/2010, 15:24

Transformar a pele de animais em couro curtido não é uma prática recente. Pelo contrário. Já foram encontrados, por pesquisa dores, pedaços de couro curtido cerca de 3.000 anos a.C., originários do Antigo Egito. Outros povos antigos como babilônios e hebreus também conheceram a técnica de curtimento ou mesmo possuíram curtumes (onde se processa o couro cru), como era o caso dos gregos.

Passados milênios, o costume chegou ao Brasil na época da colonização trazido pelos portugueses. O registro deste ofício no país, no entanto, é escasso e quando ocorre, detém-se mais na questão econômica do que propriamente no artesanato. A partir do século XIX, quando a atividade perde fôlego, tornam-se mais raras as pesquisas sobre esta atividade.

Em Sergipe, por exemplo, muitos municípios ainda preservam a tradição secular e com o intuito de valorizar essa arte que corre o risco de se extinguir, foi que a historiadora Sayonara Viana e o fotógrafo Francisco Moreira da Costa se debruçaram, como coordenadores, numa pesquisa de campo pelo alto e médio sertão.

O projeto- “Encourados do Sertão Sergipano”- desenvolvido ao longo de um ano e contemplado pelo Microprojetos “Mais Cultura” edital do Ministério da Cultura, Funarte, INEC e Secretaria de Estado da Cultura, revelou não apenas o artesanato em couro como um produto de uso, mas como uma forma de arte que encerra um sistema complexo, uma rede de saberes, indo além da sua função utilitária ou decorativa, representando uma das formas de materialização da memória e de tradições mantidas por artesãos.

O público poderá conferir um pouco do que os pesquisadores encontraram no interior sergipano, na exposição que será aberta logo mais, às 18h, no Museu do Homem Sergipano. Com projeto expográfico assinado por Zilton Cavalcante, a exposição “Encourados do Sertão Sergipano” é dividida em quatro módulos- ferramentas, uso, oficina e festas- e conta com 20 fotografias, objetos e projeção de slides.

Para o experiente fotógrafo carioca do Museu do Folclore, Francisco Moreira da Costa, uma das coisas que mais lhe impressionou nessa empreitada, foi a questão da tradição que ainda se mantém não só no que tange ao processo de descendência da prática artesanal mas também de ordem estética.

“É interessante perceber como um determinado tipo de ponto, de arabesco é mantido no momento da confecção ao longo de décadas. É super bacana perceber como essa tradição resiste. Também fiquei encantado com a vaquejada e com as peculiaridades da festa no interior sergipano”, conta.

Ao todo, o fotógrafo registrou 1.090 fotos, sendo que deste universo, cerca de 50 estarão divididas entre ao catálogo e a exposição propriamente dita. Para Francisco, é mais fácil fotografar que escolher aquelas que entrarão para a exposição.

“Nessa hora eu levo em consideração o discurso (já que a gente quer contar uma história) e, ao mesmo tempo, a questão estética-fotográfica. Eu procuro respeitar o discurso com boas fotos. Mas se uma foto não for “a foto” que eu acho, mas tiver importância para contar uma história, ela entra. Eu não a deixo de fora, senão a exposição se dilui”.

Para não correr riscos de deixar belos cliques fora do alcance do público, Francisco Moreira da Costa preparou uma projeção de fotos (fora da exposição e do catálogo) em slides que serão mostradas na noite de abertura de “Encourados do Sertão Sergipano”.

Nesta mesma ocasião, haverá apresentação de esquete do grupo teatral História em Cena e presença musical de Robertinho dos Oito Baixos. O projeto, que contou ainda com a realização de uma oficina, ministrada por José de Lira Raimundo e Sebastião da Silva, ainda deverá produzir belos frutos.

Por enquanto, quem quiser conferir a exposição, ela ficará em cartaz até o dia 08 de agosto, no Museu do Homem Sergipano (Rua Estância, 228) e o horário de visitação é de segunda a sexta-feira, das 9 às 12h e das 14 às 17h. Visitas monitoradas podem ser agendadas através do telefone 3302-5841. O acesso é gratuito.

Fonte: por Suyene Correia, do Jornal da Cidade

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